Vinte anos. Onde é que eu estava quando completei vinte anos? Já andava pela Rádio. E esta é a única memória viva que guardo. Pensei nisto nos últimos dias e partilho-o agora neste breve registo que assinala o teu 20º aniversário.
Agora que deixas de ser teen e passas à classe dos enty e depois dos irty começarás a perceber que a vida passa num instante. E passa mesmo!
Nestas duas décadas de ti recordo sempre o meu primeiro bebé, as inseguranças e incertezas que lhe estiveram associadas. As noites tranquilas, a descoberta e apego ao futebol com forte simpatia pelo Benfica. O rapaz próximo dos avós paternos e a cumplicidade com o avô Matos. O miúdo às vezes traquina que faz acontecer pela calada: Lembras-te da noite de Halloween em que resolveram colocar lixívia no borrifador de água?
Mas o teu percurso também se caracteriza pelo João Carlos justo e amigo do seu amigo. Os amigos são um forte pilar na vida do meu estudante de engenharia mecânica. Não se largam. Rasgam fronteiras para estar juntos. Cooperam. Partilham. Surpreendem-se. E isso é extraordinário, pois a tua geração ainda não é totalmente viciada na virtualidade das coisas boas ou ruins. Felizmente !
É pois interessante acompanhar cada passo teu e dar-me conta de que não perdeste nenhuma das tuas virtudes. És um amigo incondicional da família. És o meu menino mais crescido. E hoje não poderia deixar passar esta data sem dizer-te que todos os dias tenho orgulho em ser tua mãe.
Estou certa de que este meu sentir é partilhado pelo pai Carlos e pelos manos Leonor e Francisco. Sê sempre feliz Joãozinho. João. João Carlos. Jê Cê. Joca. Sê sempre tu.
Feliz Aniversário !
Fracções de memórias passadas. Tempos idos e diluídos na espuma dos dias. A actualidade desta Beira que é a nossa!
quinta-feira, setembro 05, 2019
quarta-feira, setembro 04, 2019
À Catarina e às pessoas que me fazem bem
A Catarina faz anos. Nunca me
tinha dado conta que uma das minhas amigas do coração nasceu um dia antes do
meu filho João. Ou talvez já me tenha ocorrido mas o pensamento terá
sido tão breve que não me fixei na curiosidade do calendário. Hoje fiquei a
pensar em como duas pessoas que me são tão próximas nasceram em anos diferentes
mas apenas com um dia de intervalo.
A Ana Catarina não é uma amiga de
infância e nem temos muitas vivências em comum. Direi que temos mais amig@s em
comum que experiências em conjunto. Mas as que temos são fartas. Generosas!
No outro dia jantámos e fiquei
com a sensação de que ainda tínhamos tanto para conversar! Sabem aquelas
pessoas de que gostamos profundamente mas vemos poucas vezes ? Quando se
juntam, conversam sem rede, riem muito, fazem planos. E no fim do encontro têm
vontade de puxar as orelhas ao relógio.
Não tenho presente o ano, muito
menos o dia, em que nos conhecemos. Sei que a amizade com uma amiga comum nos juntou.
E também sei, sinto, que conheço a Catarina desde sempre.
São tantos os pontos comuns! Os
sonhos, a visão poética do mundo, as boas energias. Fundamentalmente, a
generosidade em observar sem julgar. A entrega sem estarmos à espera de nada em
troca.
Há muitos anos, num aniversário
meu, numa noite gelada de janeiro estivémos juntas num bar do Fundão para
celebrar a vida. A ideia partiu da Marta que nos juntou à mesa das conversas e
fez desse serão um momento imensamente poderoso. Nesse dia, a Catarina
brindou-me com um adereço de moda que ainda hoje me acompanha. Guardo-o com
imenso carinho e sentido de gratidão.
De todas as vezes que o coloco
lembro-me sempre dessa noite. Lembro sempre os olhos azuis e o sorriso
contagiante da Ana Catarina. O colar com uma gaiola e um passarinho é um
símbolo de liberdade. É uma ode à criatividade e às energias boas. Àquel@s que
nos ajudam a voar.
Desses tempos longínquos guardo
ainda o desafio de participar num livro solidário de poesia. Escrever um poema
para uma obra cujas receitas reverteriam a favor da Entrelaços entusiasmou-me.
Não tanto pela possibilidade de as minhas palavras passarem a estar reunidas
num livro onde outros poetas de verdade iriam partilhar os seus dotes
literários. Mas por ser um desafio da Ana Catarina Pereira. Inicialmente receie
não estar à altura da exigência. Depois a ideia ganhou asas e saiu um poema de
amor. Daqueles que nos desnudam e permitem interpretações várias.
Não tenho aqui o poema para o
transcrever. Talvez seja mais seguro mantê-lo no baú das coisas escritas. As
pessoas mais curiosas poderão encontra-lo nesse livro solidário que ainda está
à venda, por exemplo, na Junta de Freguesia do Fundão.
Os livros sempre foram um ponto
forte na minha relação com a minha amiga aniversariante. Há dias enquanto lia o
contributo dela no livro “o que pode a arte?” editado pela Bordô –Grená foi
delicioso deixar-me envolver pelo poder da poesia na discussão de outra causa nossa: A
Igualdade de Género.
O texto “pela poesia é que vamos –
pela arte, resistimos” permitiu-me descobrir “leite e mel” de Rupi Kaur. Uma
extraordinária obra poética que nos fala de amores e desamores, abusos e
perdas. Ofensas encobertas à mulher. Foi ainda nesse artigo da minha amiga
apaixonada pelo cinema no feminino que também encontrei motivação para, de uma
vez por todas, ler com atenção a obra de Simone de Beauvoir. A escritora cuja
obra desconstrói mitos e estereótipos sobre género e sexo escreveu no livro “segundo
sexo” que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.
Que dizer mais sobre uma amiga
inspiradora sempre disponível para enriquecer o meu percurso na comunicação? Neste
capítulo, recordo as entrevistas que me deu. A mais recente aconteceu em 2017
no meu “Porque Hoje é Domingo” na Rádio Cova da Beira e está aqui. https://www.mixcloud.com/dulcegabriel58/porque-hoje-%C3%A9-domingo-12-fevereiro-2017-rcb-ana-catarina-pereira/
Deleitem-se!
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