domingo, novembro 17, 2013

Da UBI para o mundo da moda

Priscila Borges Franco, mestre em Design de Moda pela Universidade da Beira Interior apresentou a sua colecção Primavera/Verão 2014 no Portugal Fashion. O convite surgiu depois de ter ganho o concurso Portuguese Fashion News/Modtissimo. Natural do Brasil a jovem que se apaixonou pela Covilhã ruma a Edimburgo na Escócia para fazer o doutoramento em sensores têxteis incorporados.

A conversa decorreu no Serra Shopping da Covilhã um dia depois de Pritt (nome artístico) de 31 anos ter vivido uma das mais importantes experiências no mundo da moda. Mostrar as suas criações no palco dos novos talentos do Portugal Fashion. Na véspera de apanhar voo de regresso ao Brasil a jovem designer de moda partilhou com o JF a aventura de casar e viver ao lado da sua cara-metade numa cidade com menos 650 mil habitantes que Uberlândia no estado de Minas Gerais. Nada que a tenha transtornado pois a ideia de um povoado junto à serra da Estrela sem movimento nem diversão rapidamente caiu por terra e o casal vê a Covilhã como um território próspero e cosmopolita. “A Covilhã já foi um centro económico importantíssimo para Portugal e embora tenha perdido alguma dessa influência, carrega uma história valiosa em tudo idêntica à de muitos Portugueses que conseguiram grandes feitos e descobertas”, afirma a jovem estudante que nos dois anos em que viveu na Beira Interior não esqueceu de conhecer a terra do descobridor Pedro Álvares Cabral. Foi na Covilhã que se desenvolveu toda a estratégia de participação em iniciativas que pudessem abrir horizontes no mundo da moda. Pritt participou com mais duas colegas da UBI num concurso europeu em França que lhe permitiu conhecer gente de toda a Europa, e nessa altura constatou que a UBI é conhecida no estrangeiro. Nessa altura teve a primeira oportunidade de mostrar a sua capacidade de trabalhar a lã e o burel. “Estando na serra da Estrela fui a Manteigas ver uma exploração de burel e por lá inspirei-me no pastor, criei duas peças de burel, um tecido excelente para desenvolver um vestido longo de cerimónia e um outro conjunto prêt à porter para o dia-a-dia baseado na realidade da calça larga do guardador de gado mais o colete e o boné. Foi uma experiência muito enriquecedora trabalhar a lã cardada e no burel”, conclui Pritt. “Agradeço à Universidade da Beira Interior por todo o apoio e incentivo que recebi nestes dois anos que aqui estive. A universidade foi fundamental para expandir os meus conhecimentos e horizontes e com este desfile, no maior evento de moda de Portugal, recebo o reconhecimento público de toda a formação que aqui adquiri”, salienta a designer que, no último fim-de-semana, mostrou as suas coordenadas na Passerellle Bloom do Portugal Fashion. Na passadeira para estreantes Priscila Franco apresentou conjuntos para a próxima Primavera/Verão cujas fotos foram imediatamente publicados no site da prestigiada Vogue. Mas chegar ao Portugal Fashion implicou a realização de outros trabalhos, vencendo outras provas de fogo. Foi assim há um ano no Modtissimo no Porto, uma exposição técnica onde as empresas de Portugal e do estrangeiro mostram tecidos dando oportunidade a novos designers. “A organização vai às universidades em busca dos melhores e através da UBI pude participar, na edição de Outubro de 2012, com o trabalho para os desfiles e outras provas. Fiquei em primeiro lugar com um trabalho vanguardista dedicado ao tema Galáxia XXI. A ideia foi criar algo diferenciado num tecido às riscas e num outro tecido de xadrez pouco recto. Um vestido de alças longo e no qual todas as riscas se encontraram. Criei ainda um casaco inspirado nos discos voadores com várias camadas, uma espécie de ovni com várias linhas à volta da nave”. O primeiro lugar permitiu à designer entrar directamente no espaço novos talentos do Portugal Fashion e um prémio de 300 euros que foi o valor atribuído pelo Modtissimo à criação vencedora. Pritt começou a estudar moda aos vinte e sete anos mas está orgulhosa de ter partilhado a passerelle dos novos talentos com outros designer que estão “a desabrochar para a fama”. Na alfândega do Porto apresentou, então, oito coordenadas às quais atribuiu o nome de “Colecção Ogive”, inspirada nas formas ogivais que estão presentes na arquitetura de estilo gótico. “Com esta inspiração simples, a coleção surgiu com curvas sensuais e fortes, marcando a feminilidade de uma mulher jovial, urbana e que gosta de estar elegante, com um toque de sportswear”. As cores da colecção são marcadamente claras e traduzem a jovialidade da mulher, que carregando muitas responsabilidades, é uma personagem alegre. De resto, a nacionalidade tropical da criadora, traduz-se na utilização de cores vivas nas colecções. Foi uma jovem de ADN contagiante aquela que tomou café connosco. Pritt leva na bagagem toda a experiência académica que a UBI lhe proporcionou mas também um coração cheio de memórias de uma Covilhã cujo “património deveria ser conservado”. E dá o exemplo do palacete junto ao Jardim Público da cidade como um dos “mais bonitos edifícios onde apetece morar”. Chegou à Covilhã com uma mão à frente e outra atrás mas leva uma mala cheia de recordações e o sonho de voltar a Portugal para desenvolver as suas competências em empresas como a Paulo de Oliveira ou a Penteadora e conhecer melhor os estilistas Carlos Gil e Miguel Gigante.

Publicado no Jornal do Fundão de 31 de Outubro de 2013

segunda-feira, novembro 04, 2013

Uma banda que atravessa gerações

A Filarmónica União de Santa Cruz assinalou 211 anos de existência. Além de realizar a festa da Santa Cecília- Padroeira dos músicos - promoveu um master classe que reuniu uma dezena de participantes. Orientada pelo professor, da Academia de Música e Dança do Fundão, David Machado a formação terminou com um concerto bastante aplaudido.



A história desta instituição bicentenária confunde-se com a história de muitas pessoas daquela localidade. Várias famílias têm na Banda de Santa Cruz um percurso de vida dedicado à música e aos instrumentos. Luís Santos é mestre da Banda União de Santa Cruz desde 1978. Mas o seu bisavô também por lá passou. Actualmente a formação composta por duas dúzias de músicos reúne vários descendentes da família Santos. O Rui e o Tiago são filhos do regente mas a família Santos também tem na banda dos netos Diana, Luís e o Gonçalo. Todos tocam instrumentos de sopro e o mais novo também se dedica à precursão. Para eles a música, seja ela qual for, é uma terapia e um modo universal de comunicação. Diana é a mais velha, toca saxofone, está no oitavo grau de canto. Vai seguir música mas o avô gostaria que Diana Santos chama-se a si a liderança da instituição. E Diana não diz que não! “Sinto alguma responsabilidade e no futuro alguém deve preservar este património, dependendo do rumo que a minha vida der verei”, afirma. Mas o avô Luís tem outras ambições: Instalar a colectividade na antiga escola básica de Aldeia Nova do Cabo. “Permitiria criar uma sala de ensaios com acústica e um espaço de aprendizagem para as novas gerações de músicos”. A par da mudança de instalações, a Banda União de Santa Cruz reclama um espaço mais seguro para o espólio da instituição. O designado Museu da Banda mora no edifício da junta de freguesia mas como às vezes chove lá, a humidade é um perigo para as partituras e instrumentos. Além da família Santos, também os Cunhas, que já estiveram na banda com o avô e o pai tem na formação um neto, e os Tavares têm um percurso de vida associado à Filarmónica. Os laços de família estimulam a dinâmica entre a população da Aldeia e a música. Uma dinâmica que marcou o master classe realizado no fim-de-semana de aniversário e que reuniu uma dezena de participantes dos 11 aos 28 anos. Da história da Filarmónica fazem parte inúmeros concertos na região e em Lisboa (a convite da associação de amigos e naturais de Aldeia Nova do Cabo) bem como a presença em cerimónias presididas pelo Presidente da República ou por vários governantes. Uma das últimas actuações aconteceu na Twintex, empresa de prestígio da região, que ofereceu o novo fardamento da formação que agora volta a vestir de azul. Com uma saúde financeira estável a Banda de Santa Cruz espera continuar a realizar muitos concertos por forma investir em novos instrumentos. Depois do saxofone alto estreado nos 211 anos, faltam bombardinos, clarinetes e outros que se juntam à tuba que a junta de Aldeia Nova do Cabo lhes ofereceu.

Publicado no Jornal do Fundão em Outubro de 2013

quinta-feira, outubro 31, 2013

Três homens e nove meses de gestação de um carro de corrida


Paulo Dias, Jorge Domingues e Breno Oliveira, têm em comum o gosto pelos automóveis. Os primeiros dois são sócios. Breno Oliveira juntou-se ao projecto e acrescentou-lhe a experiência de quem já trabalhou no fabrico de carros de Fórmula 1. Do sonho à realidade foram nove meses. Sacrifícios e horas roubadas à família. Mas valeu a pena. O Fórmula Tuga, integralmente construído no Fundão, já passou no primeiro teste. Foi há dias em Braga! Ao volante foi o piloto da Covilhã, João Fonseca, mas o ”menino” passou pelos braços de cada um dos engenheiros.




A construção de um veículo automóvel para competição, made in Fundão foi o motivo desta conversa a três. À mesa da Cervejaria Imperial, no Fundão. O mesmo local onde há nove meses estes três especialistas em engenharia automóvel, começaram a desenhar um veículo que poderá tornar-se num projecto de relevo no mundo dos carros de competição. Entre revelações e explicações, descobrimos o que move Paulo Dias (professor de mecatrónica automóvel) e Jorge Domingues (empresário no fabrico de reboques), sócio do primeiro na empresa que fabricou o veículo. A “Fanspeed Racing lda”. Ao centro, Breno Oliveira. Engenheiro, especialista em dinâmica automóvel, detentor de uma larga experiência académica e de fabrico de automóveis. Trabalhou para a empresa espanhola de Fórmula 1 HRT e deu “um forte impulso e know how “ao carro que agora lhe apresentamos. Começou a ganhar forma em Dezembro de 2012 e nove meses depois ficou pronto para o primeiro teste competitivo oficial. Foi há dias no circuito do Sameiro em Braga. A empresa Multireboques Lda de que é proprietário o Jorge Domingues foi o centro de produção. Foram muitas noites sem dormir, preenchidas com um trabalho minucioso que ocupou estes três inventores também ao domingo. O Verão trouxe o produto final. Um veículo veloz e versátil. Chassi monolugar, tubular, dispõe de uma carroceria que cobre todos os componentes mecânicos, sem apêndices aerodinâmicos, motor de 1200 centímetros cúbicos (proveniente de uma moto),cinco velocidades e abastecido a gasolina. A segurança é outra das singularidades do veículo que dispõe de duas crash boxes, à frente e atrás, para absorver impactos. Eis o carro fabricado no Fundão para competir na categoria da Fórmula Tuga e em provas onde estarão igualmente os Fórmula Ford, Fórmula Vee e outros. “Tem um motor com 130 cavalos, 590 quilos com o piloto, é um monolugar”. Não estando totalmente contabilizado o investimento inicial, os produtores sublinham o espírito de abertura e cooperação das muitas empresas do distrito de Castelo Branco que se associaram ao projecto. “Temos empresas muito válidas, capazes de responder a solicitações de peças com especificidades que além de concluídas a tempo revelam que a região dispõe de empresas de uma capacidade tecnológica e científica capazes de as colocar nos píncaros a nível internacional”, destacam. “Temos uma ideia para a comercialização do produto, passa pela construção de uma versão mais económica do modelo de competição, posteriormente admitimos avançar para o fabrico de um produto que possa ser homologado para a circulação em estrada”, adiantam os inventores de um carro já registado mas ainda não patenteado. “O processo burocrático está em curso, pois a construção do carro passou por mecanismos inovadores”, concluem. O aparecimento de uma modalidade do desporto automóvel que passa pela existência de “monolugares com um só assento, com um chassi de aço sobre rodas descobertas e sem apêndices aerodinâmicos” foi o mote para o desenvolvimento do projecto. Os criadores do veículo quiseram tirar partido de uma particularidade: “Uma construção de um carro cuja cilindrada respeitasse a designada Fórmula Tuga e a relação peso/velocidade”. Acresce ainda a discriminação positiva atribuída ao produto concebido em Portugal, explicou Paulo Dias. “Nós queríamos construir um modelo que mais tarde pudesse ser um carro desportivo e possa ser matriculado e utilizado na via pública. Encontramos aqui uma fórmula de rentabilizar o investimento inicial, aproveitando a possibilidade de o modelo vir a ser replicado em veículos para estrada”, esclarece Jorge Domingues. Para já as atenções estão concentradas no modelo para provas específicas mas a intenção futura é dar maior visibilidade ao projecto económico. Entre adaptar algo concebido no estrangeiro ou construir um modelo de raiz, os promotores do veículo focaram-se na segunda hipótese e o produto final parece do agrado dos especialistas. Que o digam os responsáveis pelo circuito Single Seater Series de Braga (prova de monolugares inserida nos Campeonatos Nacionais de Velocidade) onde o protótipo se estreou recentemente, tendo alcançado o primeiro lugar na sua categoria. “Esta prova foi o teste zero. Alcançamos o primeiro lugar na Fórmula Tuga, tendo em conta que somos pioneiros na apresentação de um produto completamente fabricado em Portugal, teve um sabor muito especial”. 

Publicado no Jornal do Fundão de 3 de Outubro de 2013

quarta-feira, outubro 02, 2013

Catarina Rondão uma vida que se confunde com o desporto

Inspirada em José Mourinho e portadora de uma enorme vontade de ganhar. Dirigente associativa, desportista e professora descrente quanto ao futuro da educação em Portugal. Eis Catarina Rondão. Nelita para os amigos! 

Gosta de café e até lhe parece que a cafeína pode ser um bom aditivo para a prática desportiva, mas preferiu uma água fresca. “Ativa-nos antes da competição, de preferência se for tomado meia hora antes da prova”, explicou a presidente do Grupo Desportivo de Valverde (GDV). 
É presidente desde 25 de Agosto. “Fui quase empurrada porque dava aulas de ginástica e manutenção às pessoas de Valverde e dei-me conta de que havia ali infra-estruturas que poderiam ser rentabilizadas. A direção cessante lançou-me o repto para eu avançar. Primeiro achei a ideia descabida, pois nunca me vi dirigente de topo, mas depois…! Valverde é a única aldeia com condições para ter de tudo um pouco. Seria um desperdício o clube não apostar em coisas diferentes. Como amante do desporto não poderia excluir-me”. 

O lema é Desporto Para Todos. “Teremos caminhadas temáticas ginástica de manutenção para senhoras, manteremos o futsal”. Promover o todo o terreno com grupo Bate Mato, também é uma aposta. Sustentabilidade é a palavra de ordem num clube que não quer ser subsídio-dependente. “Hoje o associativismo não se compadece com carolice. Tem de haver reconhecimento do trabalho de quem dinamiza os clubes. Temos de ser mais profissionais que carolas”. 

Aos 29 anos, Catarina Rondão será uma das poucas - senão a única- mulheres à frente dos destinos de um clube que, tendo um percurso vincadamente virado para o futebol, está a iniciar uma viragem. “Queremos torná-lo mais eclético. Aberto a toda a população”. 
O GDV passará a centrar toda a componente desportiva de formação no futsal. Mas haverá espaço para o pedestrianismo, cultura (cinema ao ar livre, teatro e exposições são uma hipótese) e combate ao sedentarismo”. 
Não sendo comum a população do interior estar familiarizada com modalidades como canyoning ou rappel e outros desportos radicais, Catarina Rondão confidencia-nos que em Valverde há condições para todas as modalidades. E fala-nos desse espírito de motivação e competitividade. “Crer na possibilidade de chegar ao topo. É isso que faz a diferença no desporto e em todo o lado.” Uma matriz que, enquanto treinadora, tenta transmitir aos seus jogadores. “Mas não é regra pois os objetivos definem-se mediante a realidade de cada grupo. Para ganhar é preciso haver motivação, dedicação e empenho”, esclarece. 

Catarina Rondão já foi atleta. Começou no atletismo no Grupo Desportivo de Valverde, passou pelo Agrupamento de Escolas do Fundão e pelo Grupo de Convívio e Amizade nas Donas. Foi selecionadora distrital de futsal. Antes disso, integrou “a geração de ouro” de desportistas do distrito de Castelo Branco. Sob orientação do então selecionador distrital de futsal, Catarina Rondão, bebeu de José Luís Mendes algumas das suas competências para ser vencedora. 
Joel Rocha, atual treinador da equipa de futsal sénior do Fundão, também foi um dos mestres desta antiga campeã de futsal. Ao serviço das Donas e mais tarde com as cores da Desportiva da Estação, Nelita fez parte das primeiras equipas de futsal feminino da região. Conquistou títulos. Um patamar que ainda não alcançou na sua ainda curta carreira de treinadora de futebol no Clube Académico do Fundão. Nada que a fragilize. 

O caminho faz-se caminhando. Parece um lugar-comum. Mas não é! No café à mesa da Pastelaria Jardim, no Fundão, Catarina Rondão partilhou connosco o seu palmarés e as experiências mais enriquecedoras de uma vida integralmente dedicada à atividade física. Também nos contou das frustrações da professora de educação física. “É com muita tristeza e frustração que nos damos conta que estudamos para uma finalidade e um ideal de ensino que está cada vez mais distante do sonho”. Como é que chagamos aqui, perguntei-lhe. Respondeu que “o problema não é de agora, houve exageros repetidos. Os cursos de educação deveriam estar todos fechados. Mantemo-los abertos para quê? Pergunta. 

Catarina é professora do ensino básico, variante de educação física, desde 2007. Acrescentou à licenciatura um mestrado em educação física. No Ministério da Educação só teve oportunidade para leccionar 7 meses e uma semana. Diante isto, está tudo dito.

Texto publicado no Jornal do Fundão de 26 de Setembro de 2013

Fernando Paulouro, “Património Cultural de Interesse Público”

Uma plateia de amigos entre a assistência e os oradores que participaram no lançamento do segundo volume do livro Crónicas do País Relativo de Fernando Paulouro. Foi assim, na sexta-feira, na biblioteca municipal de Castelo Branco. Das intervenções destaque para as palavras proferidas pelo presidente da agência Lusa. Afonso Camões considerou o novo livro mais um exemplo do “grande esforço de cidadania”. Fernando Paulouro, apresenta um novo livro de crónicas “que mantêm uma extrema actualidade e que retractam o preço que esta Beira paga por ser Interior”, afirmou. Afonso Camões, enalteceu a “persistente insubmissão” que caracteriza a carreira de Fernando Paulouro e declarou o ex-director do Jornal do Fundão como “Património Cultural de Interesse Público”.
Numa sessão, a que compareceram dois amigos e jornalistas espanhóis, não faltou o elogio à “capacidade de resistência” de um homem que travou, nas páginas do Jornal do Fundão, muitas batalhas em defesa da região. O Poeta António Salvado revelou uma aparentemente desconhecida do grande público. “A batalha pela construção da galeria de arte moderna no Museu Tavares Proença”.
A geografia da Beira e os muitos projectos adiados ou concretizados marcaram a intervenção do autarca de Castelo Branco. Numa das últimas cerimónias públicas, antes do fim da carreira de autarca, Joaquim Morão enalteceu “um amigo cuja disponibilidade para promover a região é total e desinteressada”. “ O Fernando ainda não se retirou e com a sua pena ajudará a descobrir novos horizontes para a região”, prevê Joaquim Morão. “A verticalidade” do autor foram sublinhados por todos os oradores. Rui Jacinto, ex-presidente da CCDR do Centro, também esteve entre os intervenientes.
Diante tantos elogios, Fernando Paulouro diria que já “poderei morrer descansado”. Agradeceu “as palavras fraternas ou de atenção crítica” àquilo que escreve enaltecendo a presença dos amigos que “aqui vieram dizer coisas tão excessivas e para elas apenas encontro a explicação da amizade”. O autor de a Crónica do País Relativo sublinhou a importância de o novo livro ser lançado, uma vez mais, em Castelo Branco. “ Reafirmar a minha honra em ficar tão ligado a este ciclo da crónica do país relativo”, disse sobre Joaquim Morão.

O segundo volume do livro de Fernando Paulouro tem prefácio de Manuel António Pina, jornalista e escritor natural do Sabugal entretanto falecido.  A obra apresenta ainda um diário sobre “o trabalho dos dias” de quem não estando regularmente nos jornais continua a pensar uma região. Editado pela A23, o livro contém ainda um registo áudio, compilado por João Bento, sobre os dias em que Fernando Paulouro fez da mesa das conversas a extinta Rádio Jornal do Fundão.

Texto publicado na Rádio Cova da Beira Setembro 2013

quarta-feira, março 04, 2009

De volta

Quase dois anos depois de ter parado de escrever encontrei o caminho de volta ao meu próprio blog.
Diria que um problema técnico me foi afastando daqui.
E agora que (re)encontrei a minha password vou voltar a escrever e a estar mais presente.
Assim um pouco como a Primavera que se avizinha e começa a dar os ares da sua graça pelas terras da Cova da Beira, também eu regresso.

Eugénio de Andrade o poeta maior

 Fui à Póvoa. À terra do poeta nascido há uma centena de anos. Encontrei memória falada, orgulho e expetativa quanto à importância de Póvoa ...